A morte do prefeito de Itabuna, Sr. José de Almeida Alcântara



Minelvino Francisco Silva

Dia sete de abril 
Itabuna estremeceu 
Muita gente soluçava 
Que o coração comoveu 
Quando o rádio anunciou 
José Alcântara morreu.

Os rádios anunciavam 
Pra todos desta comuna 
Espalhando esta tristeza 
Na região grapiūna 
Que era morto o Prefeito 
Da cidade de Itabuna.

Dr. Felix Mendonça 
Que estava em Salvador 
Assim que soube a noticia 
Do sofrimento de horror 
Veio ver Sr. Alcântara 
Seu amigo de valor.

A cidade toda em peso 
Entristeceu afinal 
Quando soube que Alcântara 
Morreu là no hospital 
Foi um acabar de vida 
Um sentimento em geral.

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Os nossos vereadores 
Fizeram tudo bem feito 
Elegeram um doutor 
Homem de muito conceito 
De nome Raimundo Lima 
Para ser nosso Prefeito.

Por ordem logo da Câmara 
Pelo Prefeito assinado 
E o Presidente da mesma
Ali ficou decretado 
Em sinal de sentimento 
Três dias de feriado.

De lá do Manoel Novais 
Aquele amigo Hospital 
Saiu o saudoso Alcântara 
Nos braços do pessoal 
Para o Forum Rui Barbosa 
Oh! que momento fatal.

O Dr. Felix Mendonça 
Segurou no seu caixão 
Inda o Sr. Pedro Marques 
Magoado o coração 
O senhor Dr. Juiz 
Era grande a emoção.

Parecia uma procissão 
Todo povo acompanhando 
Quando um limpava os olhos 
O outro vinha chorando 
E no Fórum Rui Barbosa 
Tinha outro tanto esperando.

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Quando o caixão foi cheganše 
O povo queria ver 
Aquela vez pela última 
E muitos sem se conter 
Caia em tão grande pranto 
Que só faltava morrer.

já estava o Padre Lino 
Com o seu Missal na mão 
Para celebrar a Missa 
Juntinho aquele caixão 
Recomendando ele a Deus 
Em sua santa Mansão.

Assim disse Bom Jesus 
Quando vivia a pregar 
Quem liga a Igreja na terra 
No céu pode se ligar 
E quem desliga na terra 
No cêu tem que desligar.

Portanto o saudoso Alcântara 
Ia à Igreja contente 
Como andor nas procissões 
Sem se mostrar diferente 
Na hora de sua morte 
Teve a Igreja presente.

Padre no meio da Missa 
Improvisou um sermão 
Recomendando a ele 
A Deus Autor da Criação 
O povo todo chorava 
De comover coração.

O Padre se retirou 
Depois de abençoar 
O caixão ali ficou 
Para o povo visitar 
E para no dia oito 
De tarde ir sepultar.

A pobreza de Itabuna 
Mostrando seu sentimento 
Ia ver o seu Prefeito 
Que achava cento por cento 
E se desmanchava em pranto 
Naquele triste momento.

Là na praça José Bastos 
Era grande a multidão 
Para ver o seu Prefeito 
Que estava no caixão 
Gente de todos os bairros 
Em triste lamentação.

O Prefeito de Itapé 
Mandou pra Radio Jornal 
Uma carta que foi lida 
Para todo pessoal 
Mostrando seus sentimentos 
E do seu povo afinal.

O Prefeito de Ilhéus 
Mostrando legalidade 
E todo seu sentimento 
De sua propria vontade 
Decretou luto três dias 
Em toda sua Cidade.

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Também em Buerarema 
Era grande as agonias 
A tristeza se espalhou 
Acabou-se as alegrias 
O Prefeito decretou 
Também luto por três dias.

A Viação Sul Bahiano 
Pôs ônibus a disposição 
Pra o povo de Jussari 
De Itapé vir com atenção 
Acompanhar o enterro 
Deste ilustre cidadão.

O Sr. Antônio Carlos 
Prefeito de Salvador 
Veio também a Itabuna 
Com sentimento e amor 
Acompanhar o enterro 
Desse líder de valor.

Às 4 horas da tarde 
Reuniu a multidão 
Que chegava ali de ônibus 
De jipe e de caminhão 
Pra acompanhar o enterro 
Do Lider da Região.

Padre Mario Tomassetti 
O corpo recomendou 
Sr. Carlos Magalhães 
Um discurso improvisou 
Com tão grande sentimento. 
Que todo povo chorou 

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Dali saiu o caixão 
E o povo acompanhando 
Gente de todo recanto 
Um tristonho, outro chorando 
Só via gente com um lenço 
Suas làgrimas euxugando.

Lá da Praça José Bastos 
Foi à Praça Tiradentes 
Saiu na Cinquentenário 
Tantos ali descontentes 
Pela morte do Prefeito 
Dos corações dessas gentes.

Seguiram pra o cemitério 
Essa grande multidão 
De gente média e pequena 
Levando aquele caixão 
Se despedindo daquele 
Amigo da região.

Chegando no cemitério 
Que uma senhora olhou 
Seu corpo todo tremeu 
Seu coração não aguento 
Saiu correndo e gritando 
Depois por terra tombou.

Também uma senhorita 
Que ali não resistiu 
Quando viu o alvoroço 
Dei um dismaio e caiu 
A multidão assombrada 
Pra todo lado partiu.

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Batia logo um no outro 
Que duma vez derrubava 
Os outros que vinha atrás 
Por cima desses pisava 
Outros perdiam os sapatos 
E assim continuava.

Quando terminou o "fuça"
De todo esse pessoal 
Era gente ensanguentada 
Por todo canto em geral 
Outros querendo morrer 
Foi parar no hospital.

Enquanto isso o caixão 
No cemitério parou 
Prefeitos e deputados 
Cada um ali chegou 
Para dar o último adeus 
Um discurso improvisou.

Sr. Carlos Magalhães 
Ali tornou discursar 
Mostrando seu sentimento 
Que fez o povo chorar 
Deputado Paulo Nunes 
Foi sua dor demonstrar.

Féz um discurso penoso 
De sua improvisação 
Que quem estava escutando 
Doía no coração 
As lágrimas vinham nos olhos 
Devido tanta emoção.

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O Dr. Felix Mendonça 
Já não precisa falar 
Fez um discusso penoso 
Que fez o povo chorar 
Muitos choravam de um jeito 
Que chegava soluçar.

Falaram totos Prefeitos 
Nesse momento fatal 
Inclusive Zé Oduque 
Em sua Rádio Jornal 
E depois foi seu Alcântara 
Pra o Reino Celestial.

Oh! José de Almeida Alcântara 
Homem de grande valor 
Por ti rogo ao Bom Jesus 
Nosso amado Salvador 
Que conceda a vida Eterna 
No seu Reino de Amor.

Au amado Criador 
Faço esta oração 
Salve Senhor, seu Alcântara 
Imploro de coração 
Leve o pra o Reino da Luz 
Viva ao lado de Jesus 
Assim pede a multidão.

FIM

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